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quinta-feira, 19 de março de 2015

Guardando pra você




Estou guardando pra você o amor que ainda não dei
o sentimento que ainda não senti e o carinho que não recebi

Estou deixando pra você o sonho que ainda não sonhei
as palavras que ainda não citei, o amor que nunca recebi

Estou levando de você o misterioso que ainda não descobri
o abraço que não aproveitei, o beijo que não recebi.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ela estava ali

Ela estava ali, em sua frente. Seios despidos, taça de vinho tinto em mãos e batom vermelho.

Os dedos, com unhas pintadas de azul, seguravam o recipiente como se ele fosse escorregar de suas mãos. O rímel dos olhos, já borrados, demonstravam uma suposta noite de farra, de choro, ou de qualquer outra coisa que a faria ultrapassar seu limite. Seios levemente caídos, naturais, macios e auréolas rosadas.

Ela estava ali, poderia não estar completamente, mas estava. E você? Durante esse tempo que ela estava sentada à sua frente, onde esteve?

Ela se insinuava, ela te insinuava, ela insistia em diversas tentativas, falhas, de sedução. Ela estava ali, e só queria que você estivesse também.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dia desses

Num dia desses nada iguais. Num lugar novo, incomum. Aromas diferentes, toques diferentes, caminhos posteriores diferentes. Tu quase não apareces, tu quase es esquecido, tu quase não es aprovado. Eram muitas diferenças para um dia só. 

Mas justamente neste dia, e nos outros que vieram, tão diferentes quanto, tu estavas lá. Olhos inchados de sono, cheiro de sempre, sorriso alargado. Tu chegastes em minha vida sem ninguém te convidar, tu ficastes na minha vida sem a minha permissão. De onde tu vens afinal? Onde tu achas que podes chegar? 

Não sei, não sei. 

Dia desses saberei. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu, ele, nós?

Eu: Cansada, sono, sol forte, ponto de ônibus, demora, expectativa, atraso, batom vermelho, mensagem vista pela manhã, escrita por ele, que magoou.

Ele: Chateado, barba por fazer, suado, andando, violão na mão, pressa, camisa e alma cinzentas, mensagem vista na madrugada, escrita por mim, que o magoou.

Eu, ele: nós, olhos se encontram, olhos se rebatem, olhos se cansam, sol forte, tristeza, mágoa, rancor, e seguimos, separados, nossos caminhos.

Mensagem, por ele, você está linda!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Je t'aime

Me desinteressa o fato de'u usar músicos que você não gosta para falar de amor pra você. É, eu falo e é o que importa. Importa também que toda vez que eu vou tomar um café eu lembro de você e até me pergunto como ficaria se eu acrescentasse vodka. Sei que não é tanto fez, ou tanto faz me lembrar de você ao dormir, ao acordar, ao caminhar e por vezes até mesmo ao fechar os olhos... e de alguma forma tirar dos meus pensamentos, sensações de como quando estou do seu lado. Geralmente alegria, carinho e certeza de que o tempo não existe, ou pelo menos não deveria. Mas o principal pensamento que me rodeia é: Quando será que vou te ver de novo meu menino? Minha criança, meu ser puro, meu amor! Me apetece saber quando sentirei de novo o teu cheiro de céu, libido e limão. É, e quem me dirias afinal? Sempre me pego sentindo falta do teu sorriso largo, e meu coração encolhe quando ele desaparece. Me diz moço, o que fizeste comigo para me deixar assim por você? 

E talvez você esteja certo, não é fácil para mim pensar assim e com tempo até aprendo, mas falar do amor sem dizer "eu te amo" é hipocrisia:

je t'aime mon amour


sábado, 26 de outubro de 2013

Gélido e opaco

Quase que instantaneamente meu corpo virou gelo e ficou opaco. Minha respiração gélida chega a irritar os meus pulmões e até minhas unhas ficaram arroxeadas. Pois é, a sensação de vinte e cinco graus desapareceu de imediato, e agora com o ar esbranquiçado que sai de meus lábios, penso estar sentindo uns dez graus a menos. É tão solitário aqui assim como em qualquer outro lugar e para ser sincera nem me lembro se minha alma está onde deveria estar. Agora percebo que minhas horas não gastas na ultima semana, em meditação, me fazem muita, mas muita falta nesse inacabável instante. Logo a pessoa que há meses controla-se melhor que ninguém, a independente, a ocupada e a despreocupada veio a óbito. Tristeza. Dor. Sacrifícios. O pior é pensar e saber que nada disso vale a pena. Intermináveis minutos até perceber o fato. Então a velocidade da respiração vai ficando mais sensata, mais sincrônica e o fôlego não mais me falta. A temperatura já subiu uns cinco graus, ainda é frio, é solitário e doloroso, mas é melhor do que nada. E enquanto o nada acontece, permaneço aqui em posição fetal e ainda com frio, me satisfazendo com falsos desejos.

sábado, 7 de setembro de 2013

Irmãos de Irecê

Certa vez chegou dois homens com a nona sinfonia
um tocava flauta doce e o outro só aplaudia
então chegou com a asa branca falando da miséria do povo do sertão
mas quem disse que não era feliz?
Um nordestino que se honra não perde a alegria de raiz.

Parou com a flauta, começou com versos
ele e seu irmão, quase idênticos, encantaram os passageiros
daquele ônibus que amontoa gente como se fosse picadeiro
mas sem palhaços, sem alegria, sem cores.

Graças a Deus chegaram os irmãos, que animaram os cidadãos
tiraram lágrimas dos olhos, sorrisos dos rostos e palmas das mãos.
Tiraram até dinheiro dos bolsos, porque sem o "capitá", não dá pra seguir em outro vagão.

Ambos são de Irecê: o flautista e o seu irmão.
Terra de feijão, nos anos 80, porque agora nem capim a terra dá;
não dá mais batata doce, não dá mais macaxeira e nem dá mais pra ficar.

Sendo assim o flautista e o seu irmão, com a bilheteria móvel na mão vieram para "capitá"
"capitá" da Bahia e "capitá" recursos.
Declamaram mais poesias: floresta e conversa de passageiros.
A ultima falava da conversa do "dotó" e do sertanejo
um trabalha com a mente e o outro com os braços
um nem ganhava salário mínimo e o outro ganhava vinte salários e meio.

Os dois moços tiraram mais aplausos e receberam mais sorrisos, e desceram.
E eu tomei-me a escrever, quase perco o meu ponto
mas até já sinto falta das autarquias que chegaram e mudaram
e receberam e trouxeram sorrisos para duas dúzias de gente.